§. Prólogo
Carlos Nejar
Nossas dramas quotidianos
não contam
na milícia dos dias.Iguais às nuvens,
as noites vêm e vão
num redondel ou tubo.
E os reveses são núcleo.
Qualquer gota
nos filtra.
O extravio
é nossa identidade.
Nosso número.Tudo sucede
a tudo
e nós, humanos,
não nos sucedemos.
Nos sucedem.
E o sangue
é a cal
do sangue,
sua província.Só vinga
o que adubamos
com folhas de abandono.Tábuas de rebelião.
Tábuas de dor,
nós somos.
Tábuas, tábuas
do universo inviável.Tudo sucede
a tudo.
Sem vestígio.Insubmissos ,
nosso amor remonta
aos astros.
E é o desequilíbrio.