§.

No Tribunal

Carlos Nejar


 Eu e o tribunal
 e sua fria mudez.
 O juiz no centro e no fim,
 o rosto girando em mim,
 farândola.

 Vim, com a escura coragem,
 de um réu antigo e selvagem.
 O que me prendeu,
 lutou comigo e venceu.
 Vacilava em me reter,
 mas eu que entregava,
 por saber que minha chaga
 estava exposta na lei.

 Giram as mãos
 e os pés atados. O juiz
 é um vulto que eu mesmo fiz
 com meus esboços. O juiz
 no centro, no fim,
 no tribunal onde vou,
 no tribunal donde vim.

 E  assim me condenei
 a permanecer aqui.