§. Giordano Bruno fala aos seu julgadores Carlos Nejar
Não é a mim
que condenais.Nada podeis
roubar-me.
A verdade sofreu
e eu sofri
no grão dos ossos.A vida não me veio
para mim.
E servirei de vau
a seu moinho.Não cedo
o que aprendi
com os elementos.Prefiro o fogo,
à vossa complacência.
E o fogo não remói
o que está vendo.
Abre flancos
no avental
das cinzas esbraseadas.O fogo
de flamejante língua
e sem coleira:
morde.
E testemunha
sem favor dos anjos.Não é a mim
que condenais.A Inquisição
vos fragmentou
e ao vosso juízo.A ciência toda
é aparência de outra
que nada em nós
como se fora água
do coração.Eu me fiei
ao universo
e sou janela
de harmonia
indelével.Não vos julgo.
O que se move
é a história
no caule da fogueira.Sou de uma raça
que procede do fogo.Não podereis calar-me.