§.

Soltos de imensidão

Carlos Nejar


 Os anos, Elza, já não gravam nada,
 porque gravamos nós o tempo todo.
 O teu cuidar, faz-me animar o fogo
 e cada dia em nós, jamais se apaga.

 Provados somos e o provar é um gomo
 desta romã partida pelas águas.
 Somos o fruto, somos a dentada
 e a madureza de ir no mesmo sonho.

 Os anos, Elza, não consertam mágoas,
 mas as mágoas não correm, se corremos.
 Não encanece a luz, onde são remos

 da limpa madrugada, os nossos corpos.
 Amamos. No existir estamos soltos,
 soltos de imensidão entre as palavras.