§.

Os cavalos

Carlos Nejar


 Os cavalos tinham o ardor de nuvens se empinando.
 Vinham, inteiros, no nitrir das tardes, junto às oliveiras.
 Meninos em férias, focinhavam dálias. Eram exaltados,
 amoráveis e as ervas das crinas mugiam de verdor.
 As  pálpebras  amor  baixavam. E às vezes, os cavalos
 se riam , a dentuça à mostra. Coçavam-se nas ancas, com
 a ferrugem de sediciosas vespas.
 Eternos, quando saltam. Ou descarregam rolos de ares
 bêbados. Todo galope é um pássaro.