§.

Pedra-vento

Carlos Nejar


 O vento lavou as pedras,
 mas ficaram as palavras.
 O vento lavou as pedras
 com sabor de madrugada.

 O vento lavou as noites,
 mas ficaram as estrelas.

 O vento lavou a noite
 com água límpida e mansa.
 Mas não lavou a salsugem.

 O vento lavou as águas,
 mas não lavou a inocência
 que amadurece nas águas.

 O vento lavou o vento.