§.

Luiz Vaz de Camões

Carlos Nejar


 Não sou um tempo
 ou uma cidade extinta.
 Civilizei a língua
 e foi reposta em cada verso.
 E à fome, condenaram-me
 os perversos e alguns
 dos poderosos. Amei
 a pátria  injustamente
 cega, como eu, num
 dos olhos. E não pôde
 ver-me enquanto vivo.
 Regressarei a  ela
 com os ossos de meu sonho
 precavido? E o idioma
 não passa de um poema
 salvo da espuma
 e igual a mim,bebido
 pelo sol de um país
 que me desterra. E agora
 me ergue no Convento
 dos Jerônimos o túmulo,
 quando não morri.
 Não morrerei, não
 quero mais morrer.
 Nem sou cativo ou mendigo
 de uma pátria. Mas da língua
 que me conhece e espera.
 E a razão que não me dais,
 eu crio. Jamais pensei
 ser pai de tantos filhos.