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O poeta gaúcho Carlos Nejar, membro da Academia Brasileira de Letras, é considerado um dos
 37 escritores chaves do século,  entre 300 autores memoráveis, no período compreendido de
1890-1990. No ensaio do crítico suíço Gustav Siebenmann, “Poesía Y Poéticas del Siglo XX En La
América Hispana Y El Brasil” (Ed. Gredos, Biblioteca Románica Hispânica, Madri, 1997),  Nejar
figura como uma voz emblemática e universal, de original e abundante produção lírica, ao lado de
Octavio Paz, Jorge Luis Borges, César Vallejo e Nicanor Parra. O estudo analisa as vertentes da
poética espanhola e latino-americana, resgatando seus movimentos e  tendências. Da literatura
brasileira, 14 nomes são mencionados, de Cruz e Sousa a Carlos Drummond de Andrade. Entre os
poetas vivos, além de Nejar, integram a antologia o pernambucano João Cabral de Melo Neto e o
concretista paulista Haroldo de Campos.

De acordo com Siebenmann, “Nejar encarna de forma convincente, porém com modéstia e
discreto retraimento, o logro daquela síntese em tantos lugares desejada e raramente cumprida,
entre inovação e tradição, entre a crítica de mal-estar e esperança.” Mais adiante, o ensaísta
suíço, membro da Real Academia Espanhola, salienta o prestígio adquirido pelo expoente do
pampa, radicado atualmente em Guarapari (ES): “A simplicidade de sua dicção - exata, mas
sugestiva -, visão do Brasil - crítica mas esperançada - , concede a Nejar uma reputação
crescente também no estrangeiro”. Recentemente, outra publicação conceituada, “Quarterly
Review of Literature”, de Princeton, New Jersey (EUA), em seu cinqüentenário, acabou
escolhendo o ficcionista Carlos Nejar como um dos grandes poetas da atualidade. Único
representante brasileiro  lembrado pela influente revista americana, goza da companhia do
espanhol Rafael Alberti e do francês Yves Bonnefoy entre cinqüenta autores selecionados.

Em março, Nejar viaja a França para participar  de simpósios e conferências no XVIII Salão do
Livro de Paris, acompanhando a comitiva de 36 escritores indicados pela Biblioteca Nacional. O
Brasil é o país homenageado esse ano no palco da Copa do Mundo. Entre os gaúchos,
destaque também para as presenças de Luis Fernando Verissimo e Moacyr Scliar.